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Internacional

Depois de prender adversários, Daniel Ortega vence eleição na Nicarágua

O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, continuará dando as cartas no país. Em uma eleição de fachada realizada no domingo 7, o ex-líder sandinista foi reeleito pela terceira vez e vai governar o país pelo quarto mandato consecutivo. Segundo os resultados oficiais divulgados nesta segunda-feira, 8, ele obteve 75% dos votos.

Nos últimos meses, o ditador da Nicarágua promoveu uma verdadeira caçada a alguns dos principais adversários políticos, entre os quais candidatos à Presidência que acabaram presos. Jornalistas que trabalhavam em veículos de comunicação independentes também foram perseguidos e detidos pelo regime.

Nos últimos seis meses, sete potenciais adversários de Ortega na eleição foram presos. Entre eles, estão Cristiana Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Chamorro (que derrotou Ortega em 1990); Miguel Mora, fundador da emissora 100% Notícias, que passou a ser controlada pelo governo; e o ex-embaixador Arturo Cruz. Mais de 30 políticos de oposição estão detidos, além de uma centena de jornalistas, sindicalistas e ativistas.

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“Não podemos nos esquecer quem são os que provocam terror e quem são os que promovem a paz”, afirmou Ortega ao votar na capital do país, Manágua, ao lado da esposa, Rosario Murillo, vice em sua chapa. “O voto não mata ninguém, não fere ninguém. Não ouçam os que conspiram, os que semeiam a morte e o ódio. São demônios que não querem paz nem tranquilidade para nosso país.”

Ortega disputou a eleição com outros cinco candidatos, todos aliados do governo. Nenhum opositor esteve nas urnas. Segundo informações do jornal La Prensa, a polícia realizou uma série de buscas e apreensões durante a madrugada, que tiveram como alvos integrantes dos partidos oposicionistas Aliança Cidadã e Coalizão Internacional.

A eleição na Nicarágua não contou com a participação de observadores internacionais. No mês passado, o governo dos Estados Unidos havia classificado o pleito como “farsa”.

Daniel Ortega, de 76 anos, governa o país desde 2007. Em seu governo, foi aprovada a possibilidade de reeleição indefinida, sem limites.