Viagem
Museu da Covilhã - Exemplo de Turismo Acessível em Portugal.
Por Geraldo Nogueira*
Turismo acessível significa garantir que todas as pessoas, independentemente de suas capacidades físicas, sensoriais ou cognitivas, possam usufruir de experiências turísticas de forma segura, confortável e autônoma. Além de ser um direito, conforme estabelecido pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU), é também uma oportunidade de ampliar o mercado turístico e promover a inclusão social.
Portugal tem mais de 1,1 milhão de pessoas com deficiência, representando aproximadamente 10,9% da população. Esse dado reforça a importância de iniciativas que promovam a acessibilidade nos espaços públicos e culturais. Um exemplo notável é o Museu da Covilhã, que se destaca como uma referência nacional em turismo acessível.
Localizado na cidade de Covilhã, na região da Beira Interior, o Museu passou por um processo de requalificação que teve como prioridade o desenho universal. O espaço conta com:
Acessos físicos adaptados - rampas, elevadores e sinalização tátil para pessoas com deficiência motora e visual.
Recursos multimodais - audioguias, legendas em vídeos e materiais em braille.
Formação da equipe - profissionais capacitados para atender pessoas com deficiência e outras diversidades.
Experiências inclusivas - oficinas e visitas guiadas com interpretação em Língua de Sinais Portuguesa.
O trabalho desenvolvido no Museu da Covilhã tem sido reconhecido nacional e internacionalmente como uma boa prática em acessibilidade cultural. A sua abordagem serve de modelo para outras instituições culturais e turísticas em Portugal que desejam adaptar-se aos princípios do desenho universal.
Além disso, o município da Covilhã tem investido na promoção do turismo acessível em toda a região, com a criação de roteiros inclusivos e parcerias com organizações da sociedade civil.
Embora existam exemplos como o Museu da Covilhã, ainda há muito a avançar em Portugal para que o turismo seja plenamente acessível. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Observatório do Turismo Acessível indicam que muitos destinos e serviços turísticos ainda carecem de adaptações. Políticas públicas, incentivos à qualificação de profissionais e campanhas de sensibilização são essenciais para consolidar a acessibilidade como um pilar do turismo português.
Mas o exemplo do Museu demonstra que é possível aliar preservação patrimonial, inovação e inclusão. Com o envelhecimento da população e o aumento da conscientização sobre os direitos das pessoas com deficiência, o turismo acessível deve ser cada vez mais visto como um investimento estratégico para o desenvolvimento sustentável do setor.
*Subsecretário de Políticas Inclusivas do Estado RJ
